Maior unidade europeia de produção de microalgas localiza-se no SOLVAY BUSINESS PARK

O projecto ALGATEC, desenvolvido pela A4F Algae for Future, acaba de nascer no perímetro industrial da Solvay, na Póvoa de Santa Iria, numa parceria com o grupo Solvay e a LusoAmoreiras.

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Um investimento a rondar 22 milhões de euros, num ambiente salino de 14 hectares, permitirá a produção de 600 toneladas de microalgas por ano (peso seco) e, seguramente, a captura de mais de duas mil toneladas de dióxido de carbono (CO2). No horizonte está, ainda, a criação de cem novos postos de trabalho.

O ALGATEC, em fase de instalação no perímetro industrial da Solvay, na Póvoa de Santa Iria, pretende acolher e apoiar empreendedores e investidores na área das microalgas e fazer a ponte entre a investigação aplicada e a produção industrial, acrescida do desenvolvimento e comercialização de novos produtos. 

Tipicamente, num processo simbiótico de sustentabilidade ambiental, económica e social, a produção de microalgas produz-se em colocalização com a indústria.

Matéria-prima encarada como activo do presente e do futuro, as microalgas são plantas marinhas ricas em nutrientes. Estão a ser alvo de intensa investigação aplicada, sendo já possível a sua utilização num leque alargado de campos tecnológicos.

Entre as suas aplicações actuais está a alimentação humana e animal, bem como a cosmética e a farmácia. Nas aplicações emergentes, em franco desenvolvimento, encontram-se os combustíveis (biocombustíveis e fixação de CO2), os fertilizantes e a remediação de solos, a indústria química com produção de bioplásticos e biofibras, e o tratamento de efluentes e águas residuais, com a remoção de fósforo e azoto. Para esta indústria, os custos diminuirão à medida que as áreas de produção aumentarem.

SOLVAY, UMA “PRIMEIRÍSSIMA ESCOLHA”

O CEO da A4F, Nuno Coelho, realça que o Solvay Business Park se apresentou como “uma primeiríssima escolha, não só pela localização geográfica de excelência (junto a Lisboa, à beira do rio Tejo e com número elevado de horas de sol por ano), mas também pelo facto de estar ‘colocalizado’ com uma indústria com a qual poderemos partilhar diversas utilities e, ainda, pela infraestrutura física, como escritórios, laboratório devidamente equipado e espaço industrial, onde poderemos alojar diversos tipos de equipamentos indispensáveis ao nosso processo de downstream”.

O líder da A4F releva ainda que, consciente das necessidades desta, “a Solvay sinalizou desde a primeira hora o seu interesse em acolher-nos, tudo tendo feito para que fossem criadas condições para o tornar possível”.

Por seu turno, Luís Saldanha da Gama, Administrador-Delegado da Solvay Portugal, reconhece essa disponibilidade e acentua “as valências do Solvay Business Park”, que, afirma, “estão à vista de todos”. Este dirigente destaca as “extraordinárias facilidades de instalação, que agilizam o processo de arranque das actividades de empresas parceiras, o que, a acontecer em qualquer outro local, demoraria sempre uma média de 2 a 3 anos…”. 

Além de que, remata, “a chegada de novas unidades ao Business Park da Solvay confere à região um importante valor estratégico, não só do foro industrial como também económico e de desenvolvimento social”.

UMA LÓGICA DE ECONOMIA CIRCULAR

No ALGATEC, o consórcio investidor avança com três projectos de investimento candidatos ao Portugal2020 e Mar2020, com as denominações NanoFarm, ARA.Farm e BIOFAT.PT. Estes projectos representam já um decisivo passo no desenvolvimento dos usos industriais das microalgas, com o seu processamento em produtos de valor acrescentado na indústria alimentar, especialidades farmacêuticas e fórmulas para lactentes, bem como na incorporação em rações para aquacultura e substituição de óleo e farinha de peixe em aplicações industriais.

O arranque deu-se no mês de Junho findo e estima-se que a unidade possa estar já a funcionar no final do próximo ano, no complexo industrial da Solvay, cuja localização oferece um precioso factor – a elevada radiação solar. A colocalização é estratégica: permitirá a disponibilidade de matérias-primas e outras utilidades em integração com a capacidade instalada, bem como a acessibilidade a meios de transporte e logística, a par da criação de sinergias com os parceiros locais e a proximidade a universidades e centros de investigação.

A instalação desta unidade, assim como o desenvolvimento de um cluster que integre outras unidades de produção de microalgas entre si e várias unidades industriais presentes no concelho de Vila Franca de Xira, apontam a uma lógica de economia circular, que tenderá a tornar o Solvay Business Parknuma plataforma criativa e dinâmica de investigação e desenvolvimento.

Aliás, para a equipa Solvay, estas são as vantagens cruciais do Business Park, que oferece condições únicas para a instalação de novas indústrias: a empresa pode arrancar em tempo record, beneficiando de maior agilidade no licenciamento. A partilha de utilidades também permite uma redução significativa dos custos de investimento e produção, podendo a prazo criar importantes desenvolvimentos no campo da investigação.