Prémio Solvay “Química para o Futuro” distingue o Prof. Susumu Kitagawa

O Prémio “Química para o Futuro”, instituído pela Solvay para distinguir descobertas científicas que possam moldar a química do amanhã e contribuir para o progresso da humanidade, foi atribuído em 2017 ao Professor Susumu Kitagawa, da Universidade de Quioto, e entregue em Bruxelas, dia 22 de Novembro, na presença do Rei Filipe da Bélgica.

  Susumu Kitagawa Click to enlarge
No entendimento do júri, independente, constituído por investigadores de renome no campo da Química, incluindo dois laureados com o Prémio Nobel, o desenvolvimento de materiais nanoporosos ‒ objecto da pesquisa conduzida pelo Prof. Kitagawa ‒ pode levar a novas formas de capturar, armazenar e reutilizar gases.

Imaginemos uma gaiola com barras tão minúsculas que poderíamos bloquear moléculas de gás dentro dela. Pois bem, essa é a ideia dos "Metal Organic Frameworks" (MOFs), que combinam nós metálicos e ligandos orgânicos, que os mantêm juntos. Ao conjugar diferentes tipos de metais e ligandos, o tamanho e as formas dos poros podem ser controlados, o que significa que os MOFs revelam a possibilidade de serem usados para capturar ou libertar gases a uma escala molecular.

As aplicações potenciais são muito vastas, mas certos campos já são bastante promissores, como o armazenamento de gás (tipicamente para metano, hidrogénio ou CO2), a separação de gases (ao serviço da qualidade do ar, permitiria, por exemplo, capturar moléculas nocivas), a transformação de gás ou a produção de sensores de alta sensibilidade ao gás. Em termos gerais, os MOFs poderiam contribuir para melhorar o estado do nosso planeta.

"Capturar e reutilizar gases nessas ‘gaiolas’ poderia ajudar a desenvolver tecnologias limpas para enfrentar as mudanças climáticas e abrir novas possibilidades ao armazenamento de energia", comenta Jean-Pierre Clamadieu, CEO da Solvay.

Claro que ainda existem obstáculos a superar, antes que a produção em grande escala possa ser prevista, sendo o custo o principal problema. Mas, como explica o professor Kitagawa, não há nada de novo nisso. "Se olharmos para a história de muitos materiais, no início, o custo é o maior problema. E então eles começam a ser amplamente utilizados e o seu custo diminui muito facilmente; não acredito, portanto, que o custo seja um problema real".

O Prémio Solvay, no valor de 300 mil euros, foi criado em 2013 para perpetuar o espírito de pesquisa científica do fundador do Grupo, Ernest Solvay. Pretende apoiar a investigação e sublinhar o papel essencial da Química, tanto como ciência como para a indústria, para ajudar a solucionar alguns dos problemas mais urgentes que o mundo enfrenta.

Atribuído a cada dois anos, o Prémio foi primeiramente concedido ao Professor Peter Schultz, e depois, em 2015, ao Professor Ben Feringa, que em 2016 foi também galardoado com o Nobel da Química.