Solvay presta serviços ao sistema eléctrico nacional

A Solvay Portugal tornou-se o primeiro consumidor industrial de electricidade no País a participar num projecto promovido pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que visa permitir a clientes industriais operar no mercado de serviços de sistema. Trata-se do mecanismo de reserva de regulação, que ajuda a corrigir desequilíbrios momentâneos entre a quantidade de energia produzida e a consumida.

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Os serviços de sistema vinham sendo prestados apenas pelos produtores, pagos pela sua disponibilidade para subir ou baixar a produção a pedido do operador da rede, de modo a evitar os desequilíbrios entre a oferta e a procura. O projecto-piloto da ERSE veio alargar esses serviços aos clientes industriais com uma potência superior a 13 megawatts (MW), numa lógica de concorrência, susceptível de diminuir o custo da energia.

A adesão da Solvay a esta iniciativa passa pela disponibilidade para, em determinadas horas do dia, aumentar ou baixar o seu consumo de electricidade, flexibilidade que é remunerada com um desconto no custo da electricidade a suportar pela empresa.

Flexibilidade não compromete a produção

A Solvay produz, na sua fábrica de Póvoa de Santa Iria, clorato de sódio e água oxigenada, substâncias destinadas, entre outras aplicações, ao branqueamento da pasta de papel. O clorato de sódio é produzido em electrólise dedicada, sendo a electricidade uma matéria-prima que chega a pesar cerca de 70% na formação do custo de produção.

A Solvay Portugal estreou-se nos serviços de sistema a 12 de Julho, e nessa primeira oferta colocou à disposição do gestor do sistema eléctrico (REN) uma potência de 6,5 MW, dos 16 MW que previa consumir.

Como indústria consumidora extremamente sensível ao preço da energia eléctrica, a Solvay teve de investir, ao longo dos anos, em sobrecapacidade de produção, o que lhe permite agora flexibilizar o seu consumo em função do preço horário da energia, sem colocar em causa os seus compromissos com os clientes”, refere Arlindo de Carvalho, responsável pela gestão de energia da empresa.

A remuneração associada ao serviço é definida pelo mercado, hora a hora, dependendo do desequilíbrio entre a produção e o consumo a cada momento”, esclarece Arlindo de Carvalho, que acrescenta: “Ao participar nestes ensaios, a Solvay empenha-se ainda mais na transição energética, ajudando a melhorar a estabilidade e a eficiência do sistema eléctrico, e contribuindo para que, no futuro, o custo da energia eléctrica em Portugal possa ser competitivo com o praticado no resto da Europa, o que é essencial à sustentabilidade dos consumidores electrointensivos”.